O Estádio do Algarve prepara-se para receber, este sábado, um embate que, embora rotulado de "preparação", promete subir a temperatura do verão algarvio. O Flamengo, sob o comando de Leonardo Jardim, cumpre o seu terceiro e último teste em solo português, e o adversário não podia ser mais emblemático: o Sport Lisboa e Benfica. Se alguém esperava um jogo de compadrio, Bruno Henrique, a figura maior do emblema carioca, veio rapidamente dissipar essas ilusões.
"Trata-se de uma taça": A ambição de um profissional
Para Bruno Henrique, não existe a palavra "amistoso" quando se entra dentro das quatro linhas. Aos 35 anos, o avançado brasileiro mantém a voracidade competitiva que o tornou um ícone no Rio de Janeiro. Ao antecipar o confronto com as águias, o internacional brasileiro foi peremptório:
"Nós somos profissionais, independentemente do que vier, de ser amistoso, hoje é o campeonato. Contra o Benfica trata-se de uma taça [Troféu do Algarve]."
O aviso está dado. O Flamengo, que já mediu forças com o River Plate (2-2) e o Lausanne (2-0), quer fechar o estágio em Portugal com um triunfo de prestígio. Bruno Henrique garante que a equipa não vai poupar esforços e entrará no relvado com a mesma intensidade que caraterizou os duelos anteriores.
A tatuagem, a polêmica e a "tranquilidade"
A conferência de imprensa não podia ignorar o momento viral da semana. No duelo frente ao River Plate, o festejo de Bruno Henrique — ao levantar a camisola e mostrar a tatuagem alusiva à conquista da Libertadores de 2019 diretamente para a bancada argentina — correu o mundo e gerou faíscas.
O avançado, porém, desvaloriza o sucedido, classificando-o como "só um desabafo". Contudo, para o duelo de sábado contra o Benfica, Bruno Henrique promete uma postura diferente. Questionado sobre como reagirá caso marque um golo aos encarnados, o jogador garantiu que a comemoração será "de uma forma mais tranquila", possivelmente tentando evitar novas polémicas num palco onde o ambiente entre adeptos portugueses e brasileiros costuma ser de grande fraternidade.
Leonardo Jardim e o "dedo" português
Outro ponto alto das declarações do avançado recaiu sobre o novo líder da equipa: Leonardo Jardim. Bruno Henrique não hesitou em traçar um paralelo com outros técnicos portugueses que passaram pelo Flamengo, como o incontornável Jorge Jesus.
Segundo o jogador, Jardim partilha com os seus antecessores um perfil carismático e, acima de tudo, uma capacidade de organização que dá ao grupo "todas as condições de trabalho para podermos exercer o nosso papel dentro de campo". O apoio do balneário ao técnico madeirense parece ser total, o que se reflete na disciplina tática que a equipa tem demonstrado nestes jogos de preparação.
O que esperar no Estádio do Algarve?
Com o pontapé de saída agendado para as 19h30, o jogo é o teste derradeiro para as duas formações antes da segunda metade da temporada. De um lado, o Benfica, em fase de consolidação do seu novo projeto; do outro, um Flamengo que quer provar que a "escola portuguesa" de treinadores continua a ser a sua fórmula de sucesso.
A Opinião do Editor: O perigo dos "jogos de festa"
É fascinante observar como a mentalidade sul-americana, personificada por jogadores como Bruno Henrique, choca com o conceito europeu de "pré-época". Enquanto na Europa tendemos a ver estes jogos como testes físicos, de ritmo e de rotação, para atletas como Bruno Henrique, o hábito de vencer é uma segunda natureza.
A frase "trata-se de uma taça" resume perfeitamente a diferença. Bruno Henrique não sabe jogar a meio gás. Para ele, cada minuto com a camisola do Flamengo é uma declaração de intenções. Isso torna o jogo contra o Benfica extremamente perigoso para a equipa da Luz: se os jogadores benfiquistas entrarem com o espírito relaxado de quem joga um "particular", correm o risco de serem atropelados pela intensidade brasileira.
Pessoalmente, acho refrescante esta postura. O futebol precisa de jogadores que não desligam o "modo competição", mesmo quando não há pontos em disputa. Quanto à polemica do festejo, é o folclore do futebol. O que importa é que, no sábado, tenhamos um espetáculo de alto nível. E se o Benfica quiser levar a melhor, terá de igualar a ferocidade competitiva que Bruno Henrique prometeu trazer para o relvado.
Diga-me, acredita que esta postura de Bruno Henrique, de nunca facilitar, é a que falta a muitos jogadores europeus em jogos de preparação, ou acha que o jogador arrisca desnecessariamente a sua integridade física num amigável?

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