Coimbra é, este fim de semana, o epicentro do atletismo nacional. A 88.ª edição do Campeonato Nacional de Clubes em Pista ao Ar Livre arranca com um cenário atípico para o Sport Lisboa e Benfica: a equipa feminina, ausente da prova em 2025, regressa à competição através da 3.ª divisão.
O renascimento da equipa feminina das águias
O regresso do Benfica ao setor feminino marca um passo importante na reestruturação da modalidade. Após a ausência sentida no ano passado — justificada na altura por Ana Oliveira, diretora técnica do clube, como uma decisão de "sustentabilidade" face a dificuldades estruturais e financeiras —, as encarnadas voltam a colocar a camisola em pista.
O projeto renovado conta com nomes de peso, como Salomé Afonso. A atleta, que protagonizou um momento de grande destaque internacional em fevereiro ao bater o recorde europeu de 2000 metros em pista curta (com 5m30s31, em França), está inscrita para esta campanha na 3.ª divisão, simbolizando a ambição de um clube que, apesar dos constrangimentos, não quer abdicar da sua história no atletismo.
Um campeonato de "essência coletiva"
A competição, que regressa a Coimbra 27 anos depois, é descrita pela Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) como a "verdadeira essência" da modalidade. Sérgio Guedes, vice-presidente da FPA, destaca que esta é a única altura em que o foco sai dos recordes individuais para se centrar na pontuação da equipa:
Ambiente único: "Um único ponto pode decidir um campeonato, uma subida de divisão ou a permanência."
Dimensão: A prova conta com 55 clubes distribuídos pelas três divisões.
Logística: As provas dividem-se entre a Pista Municipal de Atletismo do Estádio Cidade de Coimbra e o Centro de Formação de Lançadores, na Abelheira, com um esforço redobrado na melhoria das infraestruturas.
Sporting em defesa da hegemonia
Enquanto o Benfica tenta reerguer-se, o Sporting chega a Coimbra no papel de claro favorito e dominador. Os "leões" defendem o título masculino — conquistado no ano passado após um desempate emocionante com o próprio Benfica — e mantêm uma hegemonia quase ininterrupta no setor feminino desde 2011.
Com um historial que soma 162 pódios (contra 124 do Benfica), o Sporting apresenta-se como o grande "gigante" a abater, num campeonato onde a rivalidade histórica entre os dois emblemas volta a ser um dos grandes motores da competição.
O que está em jogo
Para além dos títulos, a competição define subidas e descidas de divisão, tornando cada prova — dos lançamentos aos saltos e pistas — um autêntico jogo de xadrez estratégico. Com transmissão n'A BOLA TV, a 88.ª edição promete ser um teste de resiliência para o Benfica e uma demonstração de força para o Sporting, num evento que reúne desde olímpicos de elite a jovens talentos que representam o futuro da modalidade em Portugal.
Considerando a importância do coletivo neste campeonato, acha que o Benfica conseguirá rapidamente o seu lugar na elite do atletismo feminino, ou a atual lacuna de recursos em relação ao Sporting é um obstáculo demasiado grande para ultrapassar a curto prazo?

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