Fogo cruzado na Luz: Manteigas aponta o dedo a Rui Costa e Mário Branco

 


O "avisos ignorados" que agora ganham contornos de crise

A demissão de Duarte Gomes do cargo de Diretor Técnico de Arbitragem da FPF, e o consequente envio do caso para o Ministério Público, não é apenas um problema federativo; é um rastilho que fez explodir a tensão interna no Sport Lisboa e Benfica. João Diogo Manteigas, advogado e antigo candidato à presidência do clube, aproveitou o turbilhão mediático desta quarta-feira para assumir uma postura de "eu avisei", disparando contra a atual gestão da SAD e do Clube, com alvos claros: Rui Costa e Mário Branco.

Numa publicação contundente no LinkedIn, Manteigas foi direto ao ponto. Segundo o antigo candidato, a Assembleia Geral realizada no último sábado não foi o palco estéril que muitos comentadores descreveram, mas sim o local onde os alertas sobre o estado da arbitragem nacional foram deixados, de forma clara, por parte dos sócios — e, especificamente, por ele próprio.

A "cumplicidade" com Pedro Proença em análise

O núcleo duro da crítica de Manteigas recai sobre o apoio inabalável que a presidência de Rui Costa tem dado ao projeto de Pedro Proença na Federação Portuguesa de Futebol. O advogado não poupou palavras, classificando o apoio do líder encarnado como um erro crasso e um isolamento perigoso: "O Presidente do Sport Lisboa e Benfica seguiu em contramão contra a vontade dos seus consócios. Votou isolado no projeto de Pedro Proença e tornou-se cúmplice deste."

Para Manteigas, a demissão de Duarte Gomes é a prova cabal de que o rumo escolhido pela atual direção do Benfica foi, no mínimo, ingénuo. O advogado vai mais longe e sugere que a solução para a "crise de credibilidade" que assombra o futebol português começa por uma rutura com as estruturas que o Benfica ajudou a eleger. "Ainda vai a tempo de nos ouvir e de blindar a nossa Gloriosa Instituição", atira.

O papel de Mário Branco sob escrutínio

Não foi apenas o presidente a ser visado. Mário Branco, atual diretor-geral de futebol da SAD, também entrou na linha de fogo de Manteigas. O advogado recordou que, durante a Assembleia Geral, sugeriu que as funções de Branco fossem clarificadas e, mais importante ainda, que o diretor-geral se focasse obsessivamente na arbitragem.

"Foi sugerido que o diretor geral da SAD se focasse totalmente na arbitragem esta época com base em mais um episódio que não dignifica o setor", relembrou Manteigas. A ideia subjacente é clara: Manteigas considera que o clube precisa de uma postura muito mais interventiva e menos diplomática nos bastidores do futebol português, especialmente num momento em que a integridade da competição está a ser posta em causa.

Nomes, pistas e a exigência de uma reação

O antigo candidato não se ficou pelas críticas genéricas. Na Assembleia Geral, Manteigas levantou o véu sobre os bastidores da saída de Duarte Gomes, lançando nomes que colocam o setor da arbitragem sob uma luz extremamente suspeita: Hélder Malheiro, Pedro Garcia e Luciano Gonçalves. Manteigas desafia agora a SAD encarnada a fazer o seu trabalho: "Agora, façam o vosso trabalho e pressionem."

Opinião do Editor: O preço do alinhamento político

A intervenção de João Diogo Manteigas é um sinal claro de que a "lua de mel" da gestão de Rui Costa com uma parte significativa da base de apoio benfiquista terminou há muito tempo. Quando uma figura política do clube aponta a "cumplicidade" da direção com a FPF, o Benfica deixa de ser apenas uma vítima da arbitragem e passa a ser, aos olhos de muitos sócios, corresponsável pelo sistema.

A minha análise é que Rui Costa está num beco sem saída. Se continuar a apoiar o projeto de Pedro Proença, arrisca-se a enfrentar uma contestação interna cada vez mais feroz, especialmente se os resultados desportivos ou os erros de arbitragem prejudicarem o Benfica. Se, por outro lado, romper com esse apoio agora, parecerá uma reação tardia e desespero perante a crise.

Quanto ao papel de Mário Branco, a sugestão de Manteigas tem lógica: num clube da dimensão do Benfica, o Diretor Geral de Futebol deve ser o "cão de guarda" do clube perante as entidades reguladoras. Se o clube se sente prejudicado, essa figura deve estar na primeira linha do combate, sem medo de queimar pontes. A instabilidade na arbitragem é um vulcão ativo, e Manteigas acaba de garantir que, na Luz, ninguém vai ter descanso enquanto este tema não for devidamente esclarecido. O Benfica precisa de respostas, mas, acima de tudo, precisa de decidir quem quer ser na mesa das decisões: o jogador que segue o sistema ou o clube que impõe as suas regras.

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