No universo do futebol, existem jogadores que definem sistemas táticos e outros que definem o próprio conceito de versatilidade. Fredrik Aursnes, o médio do Sport Lisboa e Benfica, pertence indiscutivelmente ao segundo grupo. E, se precisasse de uma prova, não teria de procurar além da Noruega, onde os seus companheiros de seleção e o próprio selecionador nacional encontraram a definição perfeita — e curiosa — para o descrever: ele é uma "batata".
Por que é que a "batata" é o maior elogio possível?
A expressão, que ganhou força após a exibição de Aursnes frente à França no Mundial 2026, não tem nada de depreciativo. Pelo contrário. Na Noruega, chamar alguém de "batata" significa que essa pessoa é um "pau para toda a obra".
Tal como o tubérculo é o ingrediente mais versátil da gastronomia — podendo ser cozido, frito, assado ou transformado em puré, entrando em quase todas as sopas —, Aursnes é o jogador que "fica bem em qualquer prato" tático.
"Costumo dizer que ele é uma batata. Pode jogar em qualquer lado", explicou Andreas Schjelderup, companheiro de equipa no Benfica e na seleção, em declarações à televisão norueguesa NTB.
O "faz-tudo" de Schmidt e a evolução sob Marco Silva
O conceito de Aursnes como "batata" não é novo, mas a sua persistência é impressionante. Já em 2023, o selecionador norueguês, Stale Solbakken, tinha cunhado a expressão, maravilhado com a capacidade do médio em absorver diferentes funções:
Ala Esquerda: A sua posição base no 4x2x3x1 do Benfica.
Laterais: Tanto na esquerda como na direita, onde demonstrou uma resiliência defensiva fora de comum.
Falso 9: Utilizado em momentos de necessidade, provando a sua inteligência posicional.
Para Solbakken, ter um jogador que joga bem com os dois pés, é leve e extremamente inteligente é o "sonho" de qualquer treinador. Aursnes, por seu lado, mantém a humildade de sempre, embora admita a sua versatilidade: "Também é bom ser versátil", confessou o jogador, mesmo que, no íntimo, sinta que se calhar seria bom "desempenhar só um papel e ser muito bom nisso".
O reconhecimento além-fronteiras
A exibição contra a França, onde Aursnes teve de assumir o posto de lateral-direito, foi a confirmação definitiva da sua utilidade. Enquanto muitos jogadores se esconderiam perante uma mudança tão drástica de posição ao mais alto nível, Aursnes brilhou.
Colegas como o médio Patrick Berg descrevem-no como "fantástico" e um dos jogadores mais "subestimados do mundo". A antiga internacional Andrine Hegerberg sublinha a sua coragem: "É alguém que não se esconde e vai a todos os duelos".
Para o Benfica e para o novo treinador Marco Silva, ter um "Aursnes" no plantel é ter um seguro de vida. Numa temporada que se avizinha intensa, com pré-eliminatórias da Liga Europa e a pressão de recuperar o título, ter um jogador que pode ser adaptado conforme as necessidades da equipa — sem perder qualidade — é um luxo que poucos emblemas podem ostentar.
Enquanto o mundo do futebol discute sistemas ultra-especializados, Fredrik Aursnes continua a provar que, no futebol, a simplicidade e a capacidade de adaptação continuam a ser a chave para o sucesso. Afinal, não há equipa que consiga passar sem o seu ingrediente mais versátil.
Acha que a versatilidade extrema de Fredrik Aursnes pode acabar por prejudicar o seu desenvolvimento como médio de elite, ou é precisamente essa capacidade de jogar em qualquer lado que o torna num dos jogadores mais importantes do Benfica?

0 Comentários