O Benfica acaba de garantir um dos segredos mais bem guardados do futebol brasileiro. Gabriel Índio, o central canhoto de apenas 17 anos, é a nova aposta encarnada, num negócio de 4,2 milhões de euros que foi fechado através de uma verdadeira "operação de espionagem" liderada por Mário Branco. O diretor-geral do Benfica viajou até ao Brasil para antecipar a investida do Nápoles, que já tinha o jogador praticamente "reservado".
Mas quem é este adolescente que, sem passar por torneios de seleções ou palcos da Série A, convenceu a estrutura do Benfica a agir com tanta urgência?
"Não é um menino, é um homem feito"
A definição parte de quem melhor o conhece: Rui Duarte, o técnico português que lançou Índio no Athletic MG. O treinador, que acompanhou a ascensão meteórica do jovem, não poupa elogios à maturidade do central.
"Chegou aos sub-17 e, em pouco tempo, foi promovido aos sub-20. Ao segundo jogo, já era o capitão da equipa. Se o vissem jogar, não diriam que tinha 17 anos. É fisicamente muito forte, tem quase 1,90m, é rápido nos duelos e, acima de tudo, tem uma personalidade de um homem feito", revela Rui Duarte.
O central, que não compete desde abril para evitar riscos de lesão devido ao negócio com Itália, provou o seu valor em ambientes de alta pressão: "Deu boas respostas em jogos difíceis, como em Coritiba, perante 40 mil pessoas. É um jogador de equipa principal."
O perfil de Gabriel Índio: Força, jogo aéreo e ambição
Diferente de muitos jovens talentos que chegam à Europa, Índio destaca-se pela sua agressividade positiva. Rui Duarte aponta as suas maiores valências:
Poder de Duelo: Extremamente forte tanto no jogo aéreo quanto nas disputas de bola no chão.
Polivalência Tática: Habituado a jogar como central na esquerda ou no centro, tanto em linhas de 3 como de 4.
Arma Ofensiva: É um perigo constante nas bolas paradas, tanto a defender como a atacar.
Mentalidade: "Sabe ouvir, sabe aprender e tem muita fome", garante o mentor.
O desafio da adaptação ao futebol europeu
Apesar do entusiasmo, há a consciência de que o futebol brasileiro e o europeu falam "línguas" diferentes. Duarte admite que Índio ainda terá de evoluir em aspetos táticos, mas acredita que a sua integração pode ser facilitada pela estrutura do Benfica.
"Para ele, seria ideal integrar o projeto de Marco Silva. O Benfica terá um plano para o seu crescimento, alternando entre a equipa A e a equipa B para que ele ganhe o ritmo da Europa, que é muito mais intenso e exigente que a segunda divisão brasileira", explica o técnico.
Um ativo de valor incalculável
A rapidez do Benfica em garantir o negócio reflete o conhecimento que muitos clubes internacionais já tinham sobre a joia do Athletic MG. "Muitos observadores perguntavam constantemente: 'Então e o Índio?'", revela Rui Duarte.
Com esta contratação, o Benfica não só assegura um potencial ativo financeiro de elite, como reforça o seu plantel com um jogador que, segundo quem o conhece, já respira a intensidade do futebol profissional. Aos 17 anos, Gabriel Índio chega à Luz para ser lapidado, mas com a convicção de quem está pronto para lutar pelo seu espaço no onze de Marco Silva.
A aposta em jovens talentos como Gabriel Índio é a estratégia correta para o Benfica garantir competitividade, ou será um risco elevado investir 4 milhões de euros num jogador sem experiência na primeira divisão?

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